_perfídioteca

_festival perfídia 2017

_nesta seção, você encontra os arquivos e memórias do primeiro Festival Perfídia, realizado em 2017 na cidade de São José do Rio Preto-SP.

To play, press and hold the enter key. To stop, release the enter key.

To play, press and hold the enter key. To stop, release the enter key.

To play, press and hold the enter key. To stop, release the enter key.

Festival Perfídia 2017

por Bia Medeiros

Vivemos um momento político que vai além do que se denomina "crise". A crise é mundial dizem e apoiam as grandes mídias. Interessa a crise pois interessa o povo com medo e, consequentemente, obediente. Por outro lado, pululam iniciativas de criação  de encontros (em-contra), melhor dizendo, pululam iniciativas de criação de grupos, coletivos, cambadas que chutam o balde do falso progresso. Filosoficamente não há progresso, como acredita o "presidente" golpista e sua corja de parlamentares corruptos que não elegemos. Não há desenvolvimento, há voluções (nem involuções nem evoluções), apesar de estarmos certos que o Brasil regride a passos largos rumos ao abismo que desejam as grandes empresas. O caos interessa: os Estados Unidos da América do Norte acabam de demonstrar interesse em invadir com forças militares a Venezuela. 

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? O que faz a corja corrupta?

 

Os grupos, coletivos, cambadas são núcleos de resistência, momentos de potência, lugar da troca onde semeamos um outro. Não modelos, pesquisa, não revoluções, secreções para corroer o conceito de arte, o conceito de artista, o mercado de arte, mas também a indústria farmacêutica (troca de experiência e conhecimentos sobre plantas, massagens, dietas curativas), a indústria de alimentos (troca de conhecimentos sobre métodos de geração de comunidades agrofloreteiras, comunidades de criação de hortas urbanas, subvertendo o espaço da polícia, dito, erroneamente, espaço público).

 

Perfídia é uma dessas alternativas onde circuitos dobram (circuit bending) e florescem em corpos outros, os nossos: nós, os outros. A música permeia muito de diversas formas, há dança e videoprojeção, há sensores, arduino, tatuino. O software é livre. Pode um software ser livre enquanto vagueio por possibilidades poucas nessa ditadura-farsa? 

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? A cada hora um caminhão de carga é roubado no Rio de Janeiro. Noventa e sete são os policiais assassinados no Rio em 2017 e só estamos em agosto. O que faz a corja corrupta?

 

A tecnologia modifica a ação se negando à obedecer as ordens do artista, agindo por si só: a tecnologia performa, diz Corpos Informáticos. O corpo escorrega, o piano, ao vivo, desvia, devolve ao corpo, no corpo. A imagem denuncia mas o agronegócio avança. O calor revela a destruição do que um dia se compreendeu por Estado de São Paulo. Aqui, em São José do Rio Preto, antes havia floresta, depois houve café e criação de gado, depois foram laranjas e eucalipto. Agora, ao solo, só resta a cana de açúcar e sua degradação.

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? A imagem denuncia o agronegócio. As meninas gritam contra o feminicídio, a homofobia, o governo golpista. O que faz a corja corrupta que não elegemos?

 

As fronteiras entre presentação, apresentação e representação são maleáveis. A representação, em performance, tende a falhar. Como para tudo, para a performance, é preciso estudo, pesquisa de corpo e teórica, prática e metodológica. A performance, em 2017, tem mais de 100 anos, há histórias e estórias. 

 

Perfídia, em sua primeira edição, também faz Histórias e estórias: fora do eixo Rio-São Paulo e fora do eixo busca com agrupamentos, grupos, coletivos, cambadas, núcleos de resistência trazer para o centro do Brasil provinciano a linguagem artística performance, aqui, ainda, uma ilustre desconhecida.

 

No avião, trecho São José do Rio Preto-Campinas, 12 de agosto de 2017.

 

Bia Medeiros

mbmcorpos@gmail.com