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_festival perfídia 2019

_nesta seção, você encontra os arquivos e memórias do segundo Festival Perfídia, realizado em 2019 no bairro da Luz, cidade de São Paulo-SP.

Festival Perfídia 2017

por Bia Medeiros

Vivemos um momento político que vai além do que se denomina "crise". A crise é mundial dizem e apoiam as grandes mídias. Interessa a crise pois interessa o povo com medo e, consequentemente, obediente. Por outro lado, pululam iniciativas de criação  de encontros (em-contra), melhor dizendo, pululam iniciativas de criação de grupos, coletivos, cambadas que chutam o balde do falso progresso. Filosoficamente não há progresso, como acredita o "presidente" golpista e sua corja de parlamentares corruptos que não elegemos. Não há desenvolvimento, há voluções (nem involuções nem evoluções), apesar de estarmos certos que o Brasil regride a passos largos rumos ao abismo que desejam as grandes empresas. O caos interessa: os Estados Unidos da América do Norte acabam de demonstrar interesse em invadir com forças militares a Venezuela. 

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? O que faz a corja corrupta?

 

Os grupos, coletivos, cambadas são núcleos de resistência, momentos de potência, lugar da troca onde semeamos um outro. Não modelos, pesquisa, não revoluções, secreções para corroer o conceito de arte, o conceito de artista, o mercado de arte, mas também a indústria farmacêutica (troca de experiência e conhecimentos sobre plantas, massagens, dietas curativas), a indústria de alimentos (troca de conhecimentos sobre métodos de geração de comunidades agrofloreteiras, comunidades de criação de hortas urbanas, subvertendo o espaço da polícia, dito, erroneamente, espaço público).

 

Perfídia é uma dessas alternativas onde circuitos dobram (circuit bending) e florescem em corpos outros, os nossos: nós, os outros. A música permeia muito de diversas formas, há dança e videoprojeção, há sensores, arduino, tatuino. O software é livre. Pode um software ser livre enquanto vagueio por possibilidades poucas nessa ditadura-farsa? 

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? A cada hora um caminhão de carga é roubado no Rio de Janeiro. Noventa e sete são os policiais assassinados no Rio em 2017 e só estamos em agosto. O que faz a corja corrupta?

 

A tecnologia modifica a ação se negando à obedecer as ordens do artista, agindo por si só: a tecnologia performa, diz Corpos Informáticos. O corpo escorrega, o piano, ao vivo, desvia, devolve ao corpo, no corpo. A imagem denuncia mas o agronegócio avança. O calor revela a destruição do que um dia se compreendeu por Estado de São Paulo. Aqui, em São José do Rio Preto, antes havia floresta, depois houve café e criação de gado, depois foram laranjas e eucalipto. Agora, ao solo, só resta a cana de açúcar e sua degradação.

 

De 11 em 11 minutos uma mulher, mais frequentemente uma menina, é estuprada no Brasil. Quantos gays são assassinados diariamente no Brasil? A imagem denuncia o agronegócio. As meninas gritam contra o feminicídio, a homofobia, o governo golpista. O que faz a corja corrupta que não elegemos?

 

As fronteiras entre presentação, apresentação e representação são maleáveis. A representação, em performance, tende a falhar. Como para tudo, para a performance, é preciso estudo, pesquisa de corpo e teórica, prática e metodológica. A performance, em 2017, tem mais de 100 anos, há histórias e estórias. 

 

Perfídia, em sua primeira edição, também faz Histórias e estórias: fora do eixo Rio-São Paulo e fora do eixo busca com agrupamentos, grupos, coletivos, cambadas, núcleos de resistência trazer para o centro do Brasil provinciano a linguagem artística performance, aqui, ainda, uma ilustre desconhecida.

 

No avião, trecho São José do Rio Preto-Campinas, 12 de agosto de 2017.

 

Bia Medeiros

mbmcorpos@gmail.com

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Foto: Jorge Etecheber